Capital da Paraíba se destaca como destino turístico em 2025, mas enfrenta desafios com crescimento acelerado
João Pessoa, antes considerada uma capital "esquecida" no Nordeste, está vivendo um boom turístico e se tornando um dos destinos mais procurados do verão brasileiro. A cidade, que antes era conhecida pela tranquilidade e praias vazias, agora enfrenta congestionamentos, alta na ocupação hoteleira e aumento no custo de vida.
A ascensão da capital paraibana foi impulsionada por diversos fatores. A Booking.com incluiu João Pessoa entre os três destinos em alta no mundo para 2025, ficando atrás apenas de Sanya, na China, e Trieste, na Itália. Além disso, a cidade se beneficiou de estratégias de marketing bem executadas e do crescente interesse por novos destinos no Nordeste.
Com a demanda turística em alta, a prefeitura estima uma ocupação hoteleira próxima de 100% durante a alta temporada. Nos próximos anos, mais de 10 mil novos leitos devem ser adicionados à rede hoteleira. Paralelamente, o Aeroporto Castro Pinto registrou um aumento de 13,3% no fluxo de passageiros até novembro de 2024.
O crescimento, no entanto, traz desafios. O trânsito, que antes não era um problema significativo, tem se tornado um incômodo para moradores e turistas. O custo de vida também subiu, com a valorização imobiliária de 16,13% em 2024, a segunda maior entre as capitais brasileiras. A expansão do turismo também levanta preocupações ambientais e sociais, como impacto nas comunidades locais e possível crescimento do turismo predatório.
Entre os projetos que impulsionam o turismo, está o Polo Turístico de Cabo Branco, um dos maiores complexos planejados do Nordeste, que inclui resorts, shopping centers e uma roda-gigante. O governo e investidores defendem a iniciativa como sustentável, enquanto especialistas alertam para os possíveis impactos negativos na biodiversidade e na qualidade de vida dos moradores.
Apesar dos desafios, João Pessoa tem a oportunidade de aprender com erros de outros destinos e consolidar um turismo equilibrado e duradouro. Como destaca a professora Adriana Brambilla, da UFPB, “a cidade só é boa para o turismo se continuar boa para a população”.

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