COM RECORDE DE ESTRANGEIROS, O BRASIL FINALMENTE VIROU MODA NO TURISMO INTERNACIONAL

Depois de décadas prometendo muito e entregando pouco, o Brasil parece ter entrado, de vez, no radar dos viajantes do mundo
O ano de 2025 entrou para a história do turismo brasileiro. Quase 9,3 milhões de estrangeiros visitaram o país, o maior número desde que os dados começaram a ser registrados, em 1970. O crescimento foi de impressionantes 37 por cento em relação a 2024, o maior do mundo. Argentinos puxaram a fila, mas Estados Unidos e Europa também avançaram. Especialistas apontam que o Brasil vive um momento raro de visibilidade internacional, mas alertam, o desafio agora é transformar o boom em algo duradouro.
Basta caminhar alguns minutos pela orla de Copacabana, entrar em uma lojinha de praia em Florianópolis ou observar o desembarque nos aeroportos do Nordeste para perceber. O Brasil está diferente. Em 2025, nunca se ouviu tanto espanhol, inglês e francês ao mesmo tempo por aqui.
Segundo dados do Ministério do Turismo, quase 9,3 milhões de estrangeiros desembarcaram no país ao longo do ano. Um salto histórico que colocou o Brasil no topo do crescimento mundial, à frente de destinos tradicionais como Egito, Marrocos e México.
E não foi só gente chegando. Foi dinheiro ficando. Os turistas internacionais gastaram cerca de 7,86 bilhões de dólares no Brasil em 2025, o maior valor da série histórica do Banco Central. Hotel, transporte, comida, passeio, artesanato. A engrenagem girou.
No cenário global, relatórios da ONU Turismo e da consultoria Phocuswright colocaram o Brasil como líder mundial em crescimento de reservas ligadas a viagens. Um feito raro para um país que, até pouco tempo atrás, vivia à sombra de destinos menores e mais organizados.
Durante décadas, o Brasil foi o país do potencial. Agora, começa a ser o país da entrega.
O BOOM ARGENTINO E O PIX NA PRAIA
Não dá para ignorar os números. Os argentinos foram protagonistas absolutos desse recorde. Só eles responderam por 36 por cento dos turistas estrangeiros em 2025, com quase 3,4 milhões de visitantes. Um crescimento de mais de 70 por cento em apenas um ano.
A conta é simples. Peso mais forte, Brasil relativamente barato, proximidade geográfica, carro na estrada e praia garantida. Em muitos casos, passar férias em Santa Catarina saiu mais em conta do que viajar dentro da própria Argentina.
E teve um detalhe que facilitou ainda mais. O Pix. Plataformas argentinas passaram a permitir pagamentos por QR Code no Brasil, reduzindo taxas e simplificando a vida do turista. Em janeiro, foram milhões de dólares movimentados dessa forma.
Mas o dado mais animador vem de fora da bolha argentina. Mesmo sem considerar os vizinhos, o Brasil recebeu mais de um milhão de turistas adicionais vindos de mercados como Estados Unidos e Europa. Isso muda o jogo.
O BRASIL COMBINA COM O NOVO JEITO DE VIAJAR
Especialistas apontam que o crescimento não veio por acaso. O Brasil passou a comunicar melhor aquilo que sempre teve de sobra, natureza, diversidade cultural, gastronomia, experiências reais.
Segundo analistas, o país deixou de vender apenas sol e praia e passou a mostrar floresta, rio, comida, gente e história. Um movimento alinhado às grandes tendências globais, viagens mais autênticas, contato com a natureza e destinos menos saturados.
Plataformas como a Booking.com já apontam crescimento constante nas buscas por cidades brasileiras ao longo do ano inteiro, não só no verão. São Paulo, Búzios, Florianópolis e até Manaus aparecem como apostas para 2026.
Grandes eventos, mais voos internacionais, novos investimentos em hotelaria e o marketing espontâneo das redes sociais ajudaram a empurrar o Brasil para o centro do palco.
Quando um artista posta foto na feira, no boteco ou no meio da Amazônia, ele vira um embaixador informal. E isso vale ouro.
NEM TUDO SÃO DUNAS E CAIPIRINHAS
Apesar do otimismo, o alerta é claro. Segurança ainda pesa na decisão de muitos viajantes. O Brasil é visto como incrível, mas exige planejamento e cuidado. Além disso, o país ainda concentra turistas nos mesmos cartões postais de sempre.
Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu, praias famosas do Nordeste e a Amazônia seguem liderando. O desafio agora é espalhar esse fluxo.
Especialistas apontam destinos com enorme potencial internacional
Pantanal, com sua fauna única.
Interior de Minas Gerais, com cachoeiras, queijos e cidades históricas.
Amazônia urbana e ribeirinha, além do eixo tradicional.
Litoral de São Paulo, com praias preservadas e fácil acesso.
Serra gaúcha e turismo de vinhos.
Rota das Emoções, ligando Ceará, Piauí e Maranhão.
Cerrado, com Jalapão e Chapada dos Veadeiros.
O Brasil virou moda. A pergunta agora é se vai saber sustentar o desfile.
Fonte: g1
Por: Junior de Carvalho – O Mochileiro