FIM DO ROAMING NO MERCOSUL. CALMA LÁ. AINDA NÃO É BEM ASSIM.


Viajar pelos países do Mercosul usando o celular como se estivesse no Brasil é um sonho antigo de quem cruza fronteiras com frequência. Nesta semana, esse sonho voltou ao centro das conversas depois que o governo federal anunciou, nas redes sociais, o fim da cobrança de roaming entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai a partir de dezembro de 2025.

A notícia animou. E muito. Mas, como quase tudo em viagem e também em política pública, a realidade pede um pouco mais de paciência.

Segundo a Anatel, o acordo existe, está oficialmente em vigor, mas ainda não está operando na prática. Falta combinar o jogo.

Para entender melhor, vamos por partes.

O acordo que acaba com o roaming internacional dentro do Mercosul foi aprovado pelo Senado em agosto de 2025 e confirmado por decreto presidencial em dezembro do mesmo ano. Ele prevê que brasileiros possam usar dados móveis, ligações e SMS nos países do bloco pagando exatamente o mesmo valor do plano contratado no Brasil. Nada de taxas extras, chips locais ou sustos na fatura ao voltar para casa.

O problema é que, embora o acordo esteja valendo no papel, ele ainda depende de ajustes técnicos e regulatórios para funcionar de verdade. Cada país precisa alinhar regras entre suas agências reguladoras e operadoras de telefonia. Isso inclui detalhes de cobrança, interconexão de redes e validação de sistemas. E, por enquanto, não existe um prazo oficial para que tudo isso esteja pronto.

Mesmo assim, o anúncio do governo ficou no ar, do jeitinho que dá a entender que já está tudo funcionando. A explicação só veio depois, em um comentário dentro da própria postagem, esclarecendo que o fim do roaming ainda depende dessas definições operacionais. A legenda original não foi alterada.

Na prática, isso significa o seguinte: ainda não dá para viajar contando automaticamente com internet liberada e chamadas sem custo extra dentro do Mercosul. Algumas operadoras podem já oferecer condições melhores, outras não. O cenário ainda é desigual.

Vale lembrar que o acordo é recíproco. Quando estiver totalmente ativo, argentinos, uruguaios e paraguaios também poderão usar seus celulares no Brasil como se estivessem em casa. A Bolívia, embora faça parte do Mercosul, ficou de fora por enquanto, já que entrou recentemente no bloco e ainda está em período de adaptação.

Há um ponto positivo que merece destaque. Esse movimento não é novidade absoluta. Desde 2023, o Brasil já mantém um acordo semelhante, plenamente em funcionamento, com o Chile. Ou seja, quando há alinhamento técnico e regulatório, o modelo funciona e facilita muito a vida de quem viaja.

Para quem gosta de mochilar, cair na estrada ou fazer aquele roteiro rápido pelos países vizinhos, o fim do roaming é uma mudança enorme. Menos custo, mais conexão, mais liberdade para usar mapas, aplicativos de transporte, reservas e, claro, postar aquela foto clássica da viagem sem depender de Wi-Fi alheio.

Por enquanto, a dica do UaiSôMochilando é simples e sincera. Antes de viajar, confirme com sua operadora quais regras estão valendo. Não confie apenas no anúncio bonito. A estrada é generosa, mas a conta de celular nem sempre é.

Quando o roaming no Mercosul estiver funcionando de verdade, aí sim a gente comemora com gosto. Até lá, informação continua sendo o melhor companheiro de viagem.

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