TURISMO DESPENCA EM CUBA E CRISE ENERGÉTICA AFASTA VISITANTES

Queda de até 70% no turismo expõe impacto direto na economia e no dia a dia da população


A crise energética em Cuba tem provocado um efeito dominó no turismo, um dos principais pilares da economia local. Nos últimos seis anos, o país registrou uma queda de cerca de 70% no número de visitantes, impactando diretamente empregos, serviços e até a operação de voos internacionais.

Tem destino que vive de turismo.

E quando o turista deixa de chegar, tudo para.

É exatamente isso que está acontecendo em Cuba. A ilha caribenha enfrenta uma grave crise energética que vem afastando visitantes e derrubando um dos setores mais importantes da sua economia.

Em seis anos, o turismo caiu cerca de 70%. Em 2025, apenas 1,8 milhão de turistas visitaram o país, um número muito abaixo do que já foi registrado em anos anteriores.

E o impacto é visível.

COMPANHIAS AÉREAS DEIXAM O PAÍS


A redução no fluxo de turistas já começa a afetar a malha aérea internacional.

A Air France anunciou a suspensão de sua rota para Cuba, seguindo o movimento de outras companhias como Air Canada e Air Transat.

Além disso, viajantes relatam um cenário incomum. Alguns voos passaram a incluir escalas extras para reabastecimento de combustível, consequência direta da escassez de querosene na ilha.

Ou seja, até chegar em Cuba ficou mais complicado.

HOTÉIS FECHADOS E ESTRUTURA COMPROMETIDA

A crise não afeta apenas os voos.

Hotéis têm fechado as portas por falta de energia e combustível, reduzindo ainda mais a capacidade de receber turistas.

Quem chega encontra uma realidade diferente daquela vendida nos cartões-postais.

Menos movimento nas ruas
Menos opções abertas
Menos serviços funcionando

E isso muda completamente a experiência de viagem.

O IMPACTO NA VIDA DA POPULAÇÃO

O turismo sempre foi uma das principais fontes de entrada de dinheiro em Cuba.

Sem visitantes, o efeito é direto na vida das pessoas.

Trabalhadores do setor perdem renda
Comerciantes vendem menos
Serviços diminuem

Uma jovem vendedora local resumiu bem a situação: sem turismo, não há dinheiro. E sem dinheiro, não há como importar combustível ou manter a economia funcionando.

É um ciclo difícil de quebrar.

TENSÃO INTERNACIONAL E TENTATIVAS DE SOLUÇÃO

Enquanto isso, o cenário geopolítico também influencia diretamente a crise.

A chegada de um petroleiro russo com mais de 700 mil barris de petróleo trouxe um alívio momentâneo, mas ainda insuficiente para resolver o problema estrutural.

Declarações políticas e restrições internacionais continuam impactando o abastecimento da ilha.

E no meio disso tudo, está o viajante.

VALE A PENA VIAJAR AGORA?


Essa é a pergunta que muita gente começa a fazer.

Cuba continua sendo um destino culturalmente rico, com história, música e identidade únicas.

Mas, neste momento, exige um tipo diferente de viajante.

Aquele que entende o contexto
Que vai preparado para imprevistos
Que aceita limitações na estrutura

Porque a beleza continua lá. Mas a experiência mudou.

CONSIDERAÇÕES

Viajar não é só sobre paisagem. É sobre momento.

E Cuba vive um momento delicado.

Para quem pensa em conhecer a ilha, talvez o mais importante agora seja ir com consciência. Não só do destino, mas da realidade que ele enfrenta.

Por Gérson Pereira Torres
Para o UaiSôMochilando