Alta do querosene pressiona companhias e pode refletir direto no bolso do passageiro brasileiro
O brasileiro que sonha com a próxima viagem pode precisar recalcular a rota. Especialistas apontam que o preço das passagens aéreas pode subir entre 10% e 20% após o forte aumento no querosene de aviação, combustível essencial para o setor.
A alta de mais de 50% no preço do querosene de aviação anunciada pela Petrobras deve impactar diretamente os custos das companhias aéreas. Com isso, especialistas indicam que as passagens podem subir até 20%, além de possível redução na oferta de voos e queda na demanda por viagens.
O preço das passagens aéreas no Brasil pode sofrer um novo aumento significativo nos próximos meses. Segundo especialistas ouvidos pelo G1, a alta pode chegar a até 20%, impulsionada pelo reajuste no querosene de aviação, o famoso QAV.
A Petrobras anunciou um aumento superior a 50% no preço médio do combustível vendido às distribuidoras a partir de abril. Esse movimento acompanha a disparada do petróleo no mercado internacional, influenciada diretamente pela guerra no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Para se ter uma ideia do impacto, o combustível representa quase metade dos custos operacionais das companhias aéreas. Com esse reajuste, o custo para transportar um passageiro por quilômetro pode subir cerca de 20%.
Segundo André Castelini, da Bain & Company, ainda não está claro se esse aumento será repassado de forma imediata ao consumidor ou diluído ao longo do tempo. Tudo depende da ocupação dos voos e da estratégia de cada companhia.
Mas há um efeito colateral inevitável. Quando o preço sobe, a demanda tende a cair. E isso pode levar a cortes de rotas menos rentáveis. Menos voos disponíveis, menos opções para o passageiro, e um mercado mais enxuto.
Maurício França, da L.E.K. Consulting, projeta que o aumento deve ficar entre 10% e 20%, sendo algo próximo de 15% o cenário mais provável. Ele explica que a sensibilidade ao preço varia. Quem viaja a lazer sente mais o impacto. Já o passageiro corporativo costuma absorver melhor os reajustes.
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas, a Abear, classificou o cenário como preocupante. Segundo a entidade, o combustível já representa cerca de 45% dos custos das companhias, contra pouco mais de 30% anteriormente.
A associação alerta que esse aumento pode comprometer a abertura de novas rotas, reduzir a oferta de voos e afetar diretamente a conectividade aérea no país.
Para tentar amenizar o impacto, a Petrobras anunciou um mecanismo de parcelamento. Em abril, as distribuidoras pagarão um aumento de cerca de 18%, enquanto o restante será diluído em seis parcelas a partir de julho.
Além disso, o governo federal avalia medidas como redução de tributos sobre o combustível, diminuição do IOF em operações financeiras e ajustes no imposto de renda sobre leasing de aeronaves.
Mesmo assim, o cenário segue delicado. O preço do barril de petróleo saltou de cerca de 70 dólares para mais de 115 dólares desde o início do conflito no Oriente Médio, pressionando toda a cadeia da aviação.
UMA VISÃO CRÍTICA
Agora vem a parte que ninguém gosta de falar, mas precisa ser dita.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, lá atrás, que o pobre voltaria a viajar de avião. A frase pegou. Virou símbolo. Virou promessa.
Mas, na prática, o que se vê é o oposto.
Os custos seguem subindo, o setor continua pressionado e medidas concretas para reduzir o preço final ao consumidor ainda não saíram do papel. Enquanto isso, o risco aumenta. Menos passageiros, menos voos, menos empresas.
E a história recente já deixou um alerta claro. A VoePass Linhas Aéreas, antiga Passaredo, não resistiu após o impacto na imagem causado pelo acidente do voo 2283, em Vinhedo. A combinação de crise operacional, custos elevados e perda de confiança foi fatal.
O Brasil, se não agir com firmeza, pode voltar a um cenário de concentração e fragilidade no setor aéreo. E quem paga essa conta, como quase sempre, é o passageiro.
O PESO DA GUERRA NO PREÇO DO COMBUSTÍVEL
Existe um fator silencioso, mas brutal, empurrando o preço das passagens para cima. A guerra.
O conflito no Oriente Médio, envolvendo países como Estados Unidos, Israel e Irã, não fica restrito aos noticiários ou aos mapas distantes. Ele atravessa oceanos, entra pelas refinarias e chega, sem pedir licença, ao bolso de quem sonha em viajar.
Quando há instabilidade em uma região estratégica para a produção de petróleo, o mercado reage rápido. O medo de desabastecimento faz o preço do barril subir. E quando o petróleo sobe, tudo sobe junto. O querosene de aviação, que nasce dele, sente esse impacto quase imediato.
É uma espécie de efeito dominó. Lá fora, tensão. Aqui dentro, combustível mais caro. E no fim da linha, a passagem pesa mais.
O mais curioso, ou talvez o mais amargo, é perceber como decisões e conflitos a milhares de quilômetros influenciam algo tão cotidiano quanto um embarque em Confins ou uma viagem de férias. O passageiro muitas vezes nem vê essa conexão, mas ela existe, firme, quase inevitável.
No fim das contas, a guerra não está só nos campos de batalha. Ela também está nos números, nas planilhas das companhias aéreas e, claro, no preço final que aparece na tela quando você tenta comprar uma passagem.
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GOVERNO GASTA BILHÕES PARA "TENTAR" SEGURAR PREÇOS
Nos bastidores de Brasília, a tentativa de conter a alta dos combustíveis já virou uma conta pesada. E crescente.
O Palácio do Planalto tem ampliado o leque de medidas para tentar segurar os preços e evitar um impacto ainda maior no bolso da população. Só que esse esforço já ultrapassa a marca de R$ 20 bilhões em custos para os cofres públicos, e a tendência é de aumento.
A estratégia é clara. Segurar o efeito da alta internacional do petróleo, especialmente sobre o diesel e o querosene de aviação, tentando evitar que a inflação dispare ainda mais e corroa o poder de compra das famílias.
Entre as medidas adotadas, estão subsídios ao diesel, apoio à importação para evitar desabastecimento e até discussões sobre intervenções no preço do combustível de aviação. Só o pacote inicial voltado ao diesel já custou mais de R$ 16 bilhões. Agora, novas frentes estão sendo abertas, incluindo possíveis ajudas ao setor aéreo.
O problema é que esse tipo de intervenção tem prazo curto e efeito limitado. Funciona como um remendo em um barco que segue enfrentando ondas cada vez maiores.
Ao mesmo tempo, cresce dentro do próprio governo a preocupação com o impacto fiscal dessas decisões. Cada real gasto para conter o preço dos combustíveis pressiona as contas públicas e pode aumentar a dívida do país.
E aqui entra um dilema clássico. Segurar os preços agora ou preservar o equilíbrio das contas no futuro.
Segundo técnicos da equipe econômica, ainda existe uma tentativa de manter uma certa neutralidade fiscal. Mas o risco é claro. Se os gastos se prolongarem ou aumentarem além do previsto, o país pode herdar uma conta ainda mais pesada lá na frente.
No fim das contas, o governo tenta equilibrar pratos demais ao mesmo tempo. Combustível, inflação, aprovação popular, dívida pública.
E enquanto esse malabarismo acontece, o passageiro segue ali, olhando o preço da passagem subir e se perguntando até onde isso vai.


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