VIOLÊNCIA ASSUSTA TURISTAS EM PARAÍSO DA COLÔMBIA

Sierra Nevada de Santa Marta enfrenta avanço de grupos armados e crise ameaça turismo na região caribenha


A região da Sierra Nevada de Santa Marta, um dos destinos turísticos mais famosos da Colômbia, vive uma escalada de violência ligada a grupos paramilitares e ao narcotráfico. Comunidades indígenas, comerciantes e trabalhadores locais relatam medo constante diante de ameaças, extorsões e disputas territoriais. O governo colombiano tenta conter a crise, enquanto o turismo começa a sentir os impactos da insegurança.

O cenário parece saído de um catálogo de viagens.

Praias de águas cristalinas banhadas pelo Caribe. Trilhas cercadas por mata preservada. Montanhas nevadas surgindo ao fundo como uma pintura improvável da natureza.

Mas por trás da beleza que atrai turistas do mundo inteiro, cresce uma realidade bem diferente.

A Sierra Nevada de Santa Marta, uma das regiões mais emblemáticas da Colômbia, enfrenta uma onda de violência que vem transformando o cotidiano de moradores e comunidades indígenas em uma rotina de medo silencioso.

Enquanto visitantes aproveitam praias e reservas naturais, grupos armados atuam nas proximidades controlando territórios, extorquindo comerciantes e pressionando populações locais.

Segundo relatos de lideranças indígenas e pesquisadores, a principal organização envolvida atualmente é a Autodefesas Conquistadoras da Sierra Nevada, grupo de origem paramilitar que atua na região financiado pelo narcotráfico e pelo controle de atividades econômicas locais.

O impacto vai muito além da segurança pública.

A região abriga comunidades indígenas históricas, como os povos kogui e arhuaco, reconhecidos internacionalmente pela preservação de tradições ancestrais consideradas Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

Líderes dessas comunidades afirmam que o nível de violência atual é um dos mais preocupantes dos últimos anos.

Além das ameaças, há denúncias de controle territorial armado, exploração ilegal de recursos naturais e até interferência direta no comércio voltado aos turistas.

Em meio à tensão, o governo do presidente Gustavo Petro chegou a fechar temporariamente o Parque Nacional Natural Tayrona, um dos cartões-postais mais famosos do país.

A decisão ocorreu após relatos de extorsões, bloqueios de estradas e ameaças contra guardas florestais responsáveis pela preservação ambiental da área.

E a preocupação não é pequena.

O Parque Tayrona e a Sierra Nevada receberam juntos mais de 870 mil visitantes em 2025. O turismo movimenta hotéis, restaurantes, guias locais e pequenas comunidades inteiras que dependem diretamente dos viajantes.

Mas a violência começa a afetar a imagem internacional do destino.

Empresários do setor turístico relatam queda na confiança de turistas estrangeiros, especialmente diante das notícias envolvendo conflitos armados e avanço do narcotráfico na região.

Nos últimos meses, outro fator agravou ainda mais a situação. O Clã do Golfo, considerado um dos maiores grupos criminosos da Colômbia, também passou a disputar o controle da área.

O resultado é um cenário de tensão crescente perto das comunidades indígenas e das áreas turísticas.

Enquanto isso, o governo tenta manter sua política de “paz total”, criada para negociar acordos com grupos armados. Até o momento, porém, os avanços têm sido limitados.

E o contraste impressiona.

De um lado, um dos cenários naturais mais bonitos da América Latina.

Do outro, moradores vivendo entre medo, ameaças e incerteza.

Um paraíso que continua encantando quem chega… mas que hoje também convive com uma realidade difícil de esconder.