VIAJAR NÃO BASTA

VIAJAR NÃO BASTA

Brasileiros que vão à Copa podem ser barrados na imigração e até multados por atitudes comuns no Brasil


Milhares de brasileiros estão embarcando para acompanhar a Copa do Mundo de 2026, mas existe uma realidade que muitos ainda ignoram. Comprar passagem, reservar hotel e obter visto não garantem a entrada no país de destino. Além disso, comportamentos considerados normais no Brasil podem gerar multas, problemas com a polícia e até deportação. Especialistas e autoridades alertam que a falta de informação pode transformar o sonho de assistir a uma Copa do Mundo em um enorme pesadelo.

A expectativa para a Copa do Mundo de 2026 é gigantesca. Pela primeira vez na história, o torneio será realizado simultaneamente em três países: Estados Unidos, México e Canadá. O evento promete movimentar milhões de turistas, incluindo uma grande quantidade de brasileiros.

Mas junto com a empolgação surge um alerta importante que está gerando preocupação entre viajantes.

Muitos brasileiros acreditam que possuir um visto válido significa ter entrada garantida no país escolhido. A realidade, porém, é bastante diferente.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o visto apenas autoriza o passageiro a viajar até o território norte-americano. A decisão final sobre a entrada continua sendo do agente de imigração que realiza a entrevista no desembarque.

Isso significa que mesmo um turista com documentação aparentemente correta pode ser impedido de entrar caso existam dúvidas sobre o motivo da viagem, permanência ou condições apresentadas na chegada.

A orientação das autoridades é clara. Nenhum viajante deve comprar passagens ou assumir gastos elevados antes de receber efetivamente o passaporte com o visto aprovado.

Outro ponto que chama atenção envolve as regras relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas.

No Brasil, é comum encontrar pessoas consumindo bebidas em praias, ruas, praças e eventos públicos. Nos países que recebem a Copa, entretanto, as regras podem ser muito diferentes.

No México, o consumo de bebidas alcoólicas em vias públicas é proibido. Até o momento, não existe confirmação de flexibilização da norma durante o Mundial.

Nos Estados Unidos, diversas cidades também possuem restrições severas. Em locais como Nova York, por exemplo, caminhar com uma garrafa aberta de bebida alcoólica em áreas públicas pode resultar em multa.

A situação é ainda mais rigorosa quando envolve menores de idade. A legislação norte-americana proíbe o consumo de álcool por pessoas com menos de 21 anos e pune quem fornece bebidas para menores.

Outro alerta importante envolve a saúde durante a viagem.

O Itamaraty recomenda que todos os brasileiros contratem seguro saúde internacional antes do embarque. Embora muitos turistas ainda ignorem essa recomendação, um simples atendimento médico nos Estados Unidos pode custar centenas ou até milhares de dólares.

Para quem faz uso contínuo de medicamentos, a recomendação é levar receitas médicas atualizadas e, sempre que possível, traduzidas para o idioma do país visitado.

O Canadá também possui regras específicas. Não haverá qualquer tipo de visto especial para a Copa do Mundo. Os brasileiros precisarão cumprir normalmente as exigências migratórias, seja por meio de visto convencional ou autorização eletrônica de viagem, dependendo da forma de entrada no país.

O que gera indignação é perceber que muitos viajantes investem economias de anos para realizar o sonho de assistir a uma Copa do Mundo, mas acabam dedicando pouca atenção às regras básicas dos países que irão visitar.

Em um evento internacional dessa dimensão, informação vale tanto quanto o ingresso para o estádio.

A Copa promete momentos históricos dentro de campo. Mas para que a experiência seja positiva fora dele, planejamento, documentação correta e respeito às leis locais serão tão importantes quanto torcer pela Seleção Brasileira.

Afinal, ninguém quer que a viagem dos sonhos termine na sala de imigração ou em uma delegacia por causa de uma regra que poderia ter sido conhecida antes do embarque.