DESTINOS PELO MUNDO ADOTAM MEDIDAS EXTREMAS PARA COMBATER O TURISMO EXCESSIVO

De barreiras físicas a inteligência artificial, cidades e países criam estratégias para lidar com multidões de visitantes


O turismo mundial está em plena expansão e pode alcançar cerca de 1,8 bilhão de viagens internacionais por ano até 2030. Esse crescimento trouxe benefícios econômicos, mas também desafios para destinos muito visitados. Para evitar superlotação, degradação ambiental e conflitos com moradores, diversos países passaram a adotar medidas que vão desde aumento de preços para turistas estrangeiros até uso de inteligência artificial para controlar multidões.

O TURISMO QUE VIROU DESAFIO GLOBAL

Viajar nunca foi tão popular. Com voos mais acessíveis e redes sociais estimulando o desejo de conhecer novos lugares, destinos icônicos passaram a receber volumes de visitantes muito acima do que suas estruturas conseguem suportar.

Em alguns lugares, moradores reclamam de lixo, barulho, invasão de áreas privadas e aumento no custo de vida. O resultado é um fenômeno conhecido como turismo excessivo, ou overtourism.

Para lidar com o problema, governos e autoridades locais começaram a experimentar soluções diferentes e, em alguns casos, controversas.

JAPÃO: 
RESTRIÇÕES E CONTROLE DE MULTIDÕES

O Japão tem vivido um verdadeiro boom turístico. Em 2025, o país recebeu cerca de 43 milhões de visitantes, recorde histórico.

Mas o crescimento trouxe problemas. Na cidade de Fujiyoshida, próxima ao Monte Fuji, o tradicional festival das flores de cerejeira foi cancelado em 2026 após reclamações de moradores sobre comportamento inadequado de turistas.

Outras medidas também foram adotadas.

Em Fujikawaguchiko, uma barreira física foi construída para bloquear um ponto famoso de fotos do Monte Fuji, após visitantes ignorarem regras de segurança e subirem em telhados.

Já em Kyoto, autoridades proibiram turistas de fotografar gueixas em determinadas áreas e passaram a utilizar tecnologia para prever horários de maior movimento em templos e atrações.

Aplicativos informam, em tempo real, o nível de aglomeração e sugerem atrações menos visitadas.

ESTADOS UNIDOS: 
TURISTAS ESTRANGEIROS PAGAM MAIS


Nos Estados Unidos, a estratégia adotada foi econômica.

O país possui 433 parques nacionais, mas metade dos visitantes se concentra em apenas 25 deles, como Yellowstone, Yosemite e Grand Canyon.

Para tentar reduzir o fluxo, o governo criou em 2026 uma sobretaxa de US$ 100 para visitantes internacionais em alguns dos parques mais populares.

Além disso, o passe anual para estrangeiros passou a custar cerca de US$ 250, valor três vezes maior do que o cobrado de cidadãos americanos.

Mesmo assim, especialistas acreditam que o aumento de preço sozinho não será suficiente para reduzir as multidões, já que muitos visitantes estão dispostos a pagar para conhecer esses destinos famosos.

JAMAICA: 
INCENTIVOS PARA VIAJAR FORA DA ALTA TEMPORADA

A Jamaica adotou uma estratégia diferente.

Em vez de restringir turistas, o país quer espalhar melhor as viagens ao longo do ano.

Para isso, criou um programa de seguro contra chuva para pacotes turísticos na baixa temporada, incluindo o período de furacões.

Se o volume de chuva ultrapassar determinado limite, o viajante recebe reembolso automático.

A ideia é reduzir a concentração de turistas em períodos específicos e incentivar visitas quando o movimento é menor.

ESPANHA: 
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PARA ORGANIZAR VISITANTES

A ilha espanhola de Maiorca se tornou símbolo dos protestos contra o turismo excessivo na Europa.

Agora, o destino aposta na tecnologia.

Uma plataforma baseada em inteligência artificial vai analisar dados de visitantes em tempo real e sugerir horários e locais menos movimentados.

Além disso, o sistema recomendará experiências alternativas, como visitas a vinhedos, oficinas de artesanato e produtores locais.

O objetivo é descentralizar o turismo e incentivar visitantes a conhecer outras áreas da ilha além das praias mais famosas.

O FUTURO DO TURISMO

O crescimento do turismo mundial é uma grande oportunidade econômica. Mas também exige planejamento.

Cada destino está testando soluções diferentes. Alguns restringem. Outros incentivam comportamentos responsáveis.

O que todos têm em comum é um objetivo simples: preservar os lugares que as pessoas querem visitar.

Viajar continuará sendo uma das maiores experiências humanas. A diferença é que, daqui para frente, ela precisará ser cada vez mais sustentável.

Por Gérson Pereira Torres
Para o UaiSôMochilando