LATAM REDUZ VOOS NO BRASIL COM ALTA DO COMBUSTÍVEL

Companhia ajusta operação e projeta impacto de até US$ 700 milhões diante da disparada nos custos


A LATAM Airlines anunciou a redução de 2% a 3% dos voos no Brasil a partir de junho, como resposta direta ao aumento expressivo no preço do combustível de aviação. A companhia estima um impacto que pode ultrapassar US$ 700 milhões apenas no segundo trimestre, reflexo de uma alta de cerca de 100% no valor do querosene nos últimos meses.

O passageiro comum talvez ainda não tenha percebido com clareza, mas o cenário já começou a mudar nos bastidores da aviação.

A Latam, uma das maiores companhias aéreas da América Latina, confirmou um ajuste na sua operação no Brasil. A partir de junho, a empresa vai reduzir entre 2% e 3% da oferta de voos. Não é um corte drástico à primeira vista, mas carrega um significado importante.

O motivo é direto. Combustível.

Nos últimos três meses, o preço do querosene de aviação praticamente dobrou. Um aumento de cerca de 100%. E quando o combustível sobe nesse nível, não existe muito espaço para improviso.


Segundo Jerome Cadier, presidente da Latam Brasil, a empresa está pagando hoje o dobro por litro em comparação com fevereiro. É o tipo de pressão que mexe com toda a estrutura de custos de uma companhia aérea.

E aqui vale um ponto importante.

A aviação é um setor de margem apertada. Sempre foi.

Quando o combustível dispara, o impacto vem rápido. E pesado.

No caso da Latam, a estimativa é de um custo adicional superior a US$ 700 milhões apenas no segundo trimestre. Um número que não passa despercebido nem em empresas de grande porte.

Mesmo assim, a companhia tenta equilibrar o jogo.

Até agora, não houve registro significativo de cancelamentos de viagens nos meses de abril e maio. Ou seja, o impacto ainda não chegou de forma direta ao passageiro em larga escala. Mas o alerta está dado.

Se o cenário internacional continuar pressionando os preços, novos ajustes podem acontecer já no segundo semestre.

E o mundo, como a gente sabe, anda instável.

A Latam também divulgou seus resultados financeiros mais recentes. No primeiro trimestre, a empresa apresentou lucro líquido de US$ 576 milhões, com uma margem operacional considerada sólida e transporte de quase 23 milhões de passageiros. Um crescimento relevante em relação ao ano anterior.

Mas nem isso foi suficiente para blindar a operação.

A alta do combustível já gerou cerca de US$ 40 milhões em custos extras no período. E obrigou a companhia a revisar suas projeções para 2026.

Agora, a expectativa de resultado foi ajustada, com estimativa de ebitda entre US$ 3,8 bilhões e US$ 4,2 bilhões.

Para lidar com esse cenário, a estratégia envolve três frentes bem conhecidas do setor. Ajuste de capacidade, controle de custos e gestão de receitas.

Traduzindo para o dia a dia do viajante.

Menos voos disponíveis em algumas rotas.

Possível pressão nos preços das passagens.

E um mercado mais sensível a qualquer oscilação externa.

Ainda assim, a companhia afirma que não há risco de desabastecimento nos destinos atendidos e que mantém uma posição de caixa confortável, acima de US$ 4 bilhões.

O que dá algum fôlego. Mas não elimina o desafio.

No fim das contas, o que acontece lá fora, no preço do petróleo e nas tensões globais, acaba chegando aqui. No valor da passagem, na frequência dos voos e nas escolhas que o viajante precisa fazer.

E mais uma vez, viajar continua sendo possível.

Mas exige atenção.

Porque o céu segue aberto. Só está um pouco mais caro cruzá-lo.