VIAJAR FICOU MAIS CARO

VIAJAR FICOU MAIS CARO

PASSAGEM AÉREA CHEGA A R$ 777 E NOVO DADO DA ANAC MOSTRA QUE ENCONTRAR VOOS BARATOS ESTÁ CADA VEZ MAIS DIFÍCIL


Viajar de avião pelo Brasil ficou mais caro. A tarifa aérea real média chegou a R$ 776,87 em agosto de 2026, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil, o maior valor desde dezembro de 2024. A alta foi de 14,5% em um ano e veio acompanhada pela redução da participação das passagens vendidas por até R$ 500 e pelo aumento de 18,8% no preço do querosene de aviação.

POR QUÊ VIAJAR FICOU MAIS CARO

Para quem estava planejando uma viagem de avião pelo Brasil, a notícia não é exatamente aquela que gostaríamos de encontrar antes de começar a pesquisar as passagens.

Os preços subiram, e subiram bastante.

A tarifa aérea real média no mercado doméstico chegou a R$ 776,87 em agosto de 2026, segundo dados da ANAC. É o maior valor registrado desde dezembro de 2024, quando a média chegou a R$ 813,80.

Na comparação com agosto de 2025, a alta foi de 14,5%. Em relação a julho deste ano, quando a tarifa média estava em R$ 701,27, o aumento foi de 10,8%.

E aqui está uma parte que interessa diretamente ao viajante: esse valor representa a tarifa média efetivamente paga pelo passageiro pelo transporte aéreo, corrigida pela inflação. Não estão incluídas nessa conta tarifas de embarque nem serviços adicionais, como bagagem despachada e escolha de assento.

Ou seja, aquele preço que aparece na pesquisa pode ficar ainda maior quando todos os serviços necessários para a viagem entram na conta.

MENOS PASSAGENS BARATAS

Outro dado divulgado pela ANAC ajuda a explicar por que o preço médio subiu.

Em agosto, apenas 34,8% dos assentos foram comercializados por até R$ 500.

No período entre julho de 2024 e agosto de 2026, a participação média das passagens nessa faixa havia sido de 47,2%.

É uma diferença considerável.

Na prática, o viajante encontrou menos opções dentro daquela faixa de preço que costuma ser considerada acessível para quem pesquisa uma viagem doméstica.

E isso pesa principalmente para quem precisa viajar em família. Uma passagem que parece apenas alguns reais mais cara pode representar centenas de reais adicionais quando multiplicada por três, quatro ou cinco passageiros.

O QUEROSENE TAMBÉM SUBIU

Outro fator entrou nessa conta.

O preço do querosene de aviação, um dos principais custos das empresas aéreas, chegou a R$ 4,98 por litro em agosto, alta de 18,8% na comparação com o mesmo mês de 2025.

Combustível mais caro aumenta a pressão sobre os custos das companhias e pode influenciar a formação das tarifas cobradas dos passageiros.

Isso não significa que toda alta da passagem seja explicada exclusivamente pelo combustível. O preço de um bilhete aéreo envolve diversos fatores, como demanda, oferta de assentos, distância, concorrência, custos operacionais e estratégia comercial das empresas.

Mas o aumento do combustível acontece justamente em um momento em que o passageiro já está pagando mais para viajar.

CADA QUILÔMETRO TAMBÉM ESTÁ PESANDO MAIS

Outro indicador acompanhado pela ANAC, chamado yield aéreo real, também apresentou alta.

O indicador mede quanto, em média, as companhias recebem por passageiro a cada quilômetro voado.

Em agosto, o valor chegou a R$ 0,5834 por quilômetro, 12,2% acima da média registrada entre julho de 2024 e agosto de 2026, que foi de R$ 0,5201.

Traduzindo para quem está simplesmente tentando comprar uma passagem sem transformar a pesquisa em uma segunda profissão: além de a tarifa média ter aumentado, o valor associado a cada quilômetro percorrido também subiu.

E O TURISTA FAZ O QUÊ?

A velha dica de pesquisar com antecedência continua valendo, mas os números mostram que o planejamento precisa ser ainda mais cuidadoso.

Comparar datas, horários e aeroportos pode fazer diferença. Viajar fora de feriados e períodos de alta demanda também pode ajudar. Para quem tem flexibilidade, mudar a data da ida ou da volta em apenas alguns dias pode alterar bastante o valor encontrado.

Também vale pesquisar o preço final da viagem e não apenas a tarifa anunciada.

Uma passagem aparentemente barata pode ficar bem mais cara depois da inclusão de bagagem, escolha de assento e outros serviços.

A situação merece atenção porque viajar de avião já deixou de ser uma possibilidade tão simples para uma parcela enorme dos brasileiros. Quando as tarifas sobem e as opções mais baratas diminuem, o impacto aparece diretamente no bolso de quem precisa viajar a trabalho, visitar familiares ou simplesmente conhecer outro lugar.

A aviação brasileira continua sendo essencial para conectar um país de dimensões continentais. Justamente por isso, é difícil não olhar para esses números com preocupação.

Para o viajante, resta pesquisar mais, comparar mais e planejar melhor.

Porque, pelo jeito, comprar passagem aérea barato virou quase uma modalidade olímpica. E o problema é que o brasileiro está competindo com o próprio orçamento.

Fonte: Agência Nacional de Aviação Civil, ANAC.