25 ANOS DO SETEMBRO 11 DE 2001

25 ANOS DO SETEMBRO 11 DE 2001

UM QUARTO DE SÉCULO DEPOIS, O MUNDO AINDA CARREGA AS MARCAS DO DIA QUE TRANSFORMOU NOVA YORK, A AVIAÇÃO E A HISTÓRIA


Há 25 anos, o mundo assistia, pela televisão, a uma das maiores tragédias da história contemporânea. Em 11 de setembro de 2001, quatro aviões comerciais foram sequestrados por 19 integrantes da Al Qaeda. Dois atingiram as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York. Outro atingiu o Pentágono, na região de Washington. O quarto caiu em um campo na Pensilvânia depois que passageiros tentaram retomar o controle da aeronave. Ao todo, 2.977 pessoas morreram nos ataques. Vinte e cinco anos depois, o 11 de setembro continua sendo lembrado não apenas pelo horror daquele dia, mas também pelas guerras, mudanças na segurança aérea, consequências políticas e inúmeras teorias da conspiração que surgiram posteriormente.

25 ANOS DO SETEMBRO 11 DE 2001

Há datas que pertencem aos livros de história.

E há datas que parecem pertencer à memória de quem estava vivo.

11 de setembro de 2001 é uma delas.

Mesmo para quem não estava em Nova York, mesmo para quem acompanhou tudo pela televisão a milhares de quilômetros de distância, aquela manhã ficou marcada por uma sensação difícil de explicar. O mundo parecia ter mudado diante dos olhos.

Hoje, 25 anos depois, ainda é possível voltar àquela manhã minuto a minuto.

E talvez seja justamente essa a parte mais assustadora.

8H46. O PRIMEIRO IMPACTO

Às 8h46 da manhã, no horário de Nova York, o voo American Airlines 11 atingiu os andares superiores da Torre Norte do World Trade Center.

American Airlines 11, Boeing 767 223ER

O Boeing 767 havia sido sequestrado por integrantes da Al Qaeda depois de decolar de Boston com destino a Los Angeles.

Naquele instante, muita gente ainda não compreendia o que estava acontecendo.

Para alguns, parecia um acidente.

Um avião havia atingido um dos edifícios mais conhecidos do mundo.

Só que não era acidente.

Era o começo de um ataque coordenado.

O voo atingiu os andares entre o 93º e o 99º da Torre Norte. O impacto destruiu estruturas, espalhou combustível de aviação e iniciou incêndios em vários pavimentos.

Em poucos minutos, Lower Manhattan mergulharia em uma situação que nenhum roteiro de emergência parecia preparado para enfrentar.

9H03. O MUNDO ENTENDE

United Airlines 175, Boeing 767 222

Dezessete minutos depois, às 9h03, o segundo avião atingiu a Torre Sul.

O voo United Airlines 175 também havia sido sequestrado.

Dessa vez, milhões de pessoas estavam acompanhando as imagens pela televisão.

Não havia mais dúvida.

Aquilo não era um acidente.

Era um ataque.

O segundo impacto foi transmitido ao vivo por emissoras de televisão que já estavam acompanhando o incêndio da primeira torre.

Foi naquele momento que a dimensão do acontecimento começou a ficar clara.

Duas aeronaves comerciais haviam sido transformadas em armas.

E duas das construções mais reconhecidas de Nova York estavam em chamas.

9H37. O ATAQUE CHEGA A WASHINGTON

American Airlines 77, Boeing 757 223

Enquanto Nova York tentava compreender o que estava acontecendo, outro avião sequestrado atravessava o espaço aéreo americano.

Às 9h37, o voo American Airlines 77 atingiu o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, em Arlington, na Virgínia.

O ataque mostrava que o alvo não era apenas Nova York.

Os sequestradores haviam planejado uma operação contra símbolos econômicos, militares e políticos dos Estados Unidos.

Segundo a Comissão do 11 de Setembro, os quatro aviões foram sequestrados por 19 integrantes da Al Qaeda.

A QUARTA AERONAVE

Havia ainda um quarto avião.

United Airlines 93, Boeing 757 222

O voo United Airlines 93 havia decolado de Newark com destino a San Francisco.

Depois do sequestro, passageiros e tripulantes começaram a descobrir, por meio de telefonemas, o que estava acontecendo em outros pontos do país.

Eles perceberam que os aviões estavam sendo utilizados como armas.

E decidiram reagir.

Às 10h03, o avião caiu em uma área rural próxima a Shanksville, na Pensilvânia.

A aeronave não chegou ao destino planejado pelos sequestradores.

A investigação oficial concluiu que os passageiros tentaram retomar o controle do avião e que a aeronave caiu durante essa tentativa.

O destino final do voo 93 continua sendo objeto de debate histórico sobre qual seria o alvo pretendido. A Comissão do 11 de Setembro concluiu que o avião estava sendo conduzido em direção a Washington e provavelmente tinha como objetivo o Capitólio ou a Casa Branca.

9H59. A PRIMEIRA TORRE CAI


Às 9h59, apenas 56 minutos depois de ter sido atingida, a Torre Sul começou a desabar.

A cena chocou o mundo.

Uma estrutura gigantesca, com dezenas de andares, desapareceu em uma nuvem de poeira, fumaça e destroços.

Pessoas que estavam nas ruas correram.

Bombeiros, policiais, paramédicos e equipes de emergência tentavam alcançar quem ainda estava dentro do complexo.

E muitos daqueles profissionais nunca voltariam para casa.

10H28. A TORRE NORTE DESABA


Vinte e nove minutos depois, às 10h28, foi a vez da Torre Norte.

O segundo arranha céu caiu.

O World Trade Center, símbolo da força econômica de Nova York e presença marcante no horizonte da cidade, havia sido destruído.

O local se transformou em um enorme cenário de destruição.

A investigação do National Institute of Standards and Technology, o NIST, concluiu que os impactos dos aviões danificaram colunas estruturais, removeram parte da proteção contra incêndio das estruturas de aço e espalharam combustível de aviação. Os incêndios posteriores enfraqueceram componentes estruturais até o início dos colapsos.

2.977 VIDAS

Por trás de cada número havia uma pessoa.

Um pai. Uma mãe. Um filho. Uma filha. Um colega de trabalho. Um bombeiro. Um policial. Um passageiro. Um trabalhador que simplesmente havia começado mais um dia.

Os atentados de 11 de setembro de 2001 mataram 2.977 vítimas.

O número não inclui os 19 sequestradores.

O Memorial e Museu do 11 de Setembro registra as vítimas como parte central da memória daquele dia.

É importante lembrar também que a tragédia não terminou quando as torres caíram.

Centenas de milhares de pessoas participaram das operações de resgate, recuperação e limpeza em Nova York, Arlington e na região de Shanksville.

Muitos trabalhadores de emergência e pessoas que participaram dos trabalhos no local sofreram posteriormente consequências graves de saúde relacionadas à exposição ao ambiente contaminado do desastre.

O 11 de setembro, portanto, não terminou em 11 de setembro.

O DIA QUE MUDOU A AVIAÇÃO

Para quem viaja de avião hoje, muitas regras que parecem absolutamente normais foram influenciadas diretamente pelo trauma daquele dia.

A segurança nos aeroportos mudou.

Os procedimentos de embarque ficaram mais rigorosos.

A relação entre passageiros, tripulação e segurança aérea também mudou.

Portas reforçadas de cabine, procedimentos de segurança, identificação de passageiros e protocolos de resposta a ameaças passaram a receber atenção muito maior.

O viajante moderno talvez atravesse um aeroporto sem pensar que parte daquela rotina nasceu de uma tragédia ocorrida há 25 anos.

Mas nasceu.

O turismo também mudou.

Viajar para os Estados Unidos ficou diferente.

Entrar no país ficou mais burocrático.

As fronteiras ficaram mais controladas.

A segurança passou a fazer parte da experiência de viagem de uma maneira que antes parecia inimaginável.

E é difícil não sentir indignação ao perceber que milhares de passageiros inocentes passaram a conviver com consequências provocadas por um ataque que não tinham qualquer relação com eles.

O MUNDO DEPOIS DO 11 DE SETEMBRO

Os ataques não ficaram restritos aos Estados Unidos.

Dias depois, o governo americano iniciou uma campanha militar contra o regime Talibã no Afeganistão, que abrigava Osama bin Laden e integrantes da Al Qaeda.

A chamada Guerra ao Terror se tornou uma das grandes marcas políticas das décadas seguintes.

Em 2003, os Estados Unidos invadiram o Iraque.

E aqui surge uma das questões históricas mais importantes relacionadas ao 11 de setembro.

O Iraque de Saddam Hussein não foi responsável pelos atentados.

A Comissão do 11 de Setembro documentou a estrutura da Al Qaeda, sua liderança e sua relação com os ataques. A investigação também examinou as falhas de inteligência e segurança que permitiram que os sequestradores executassem a operação.

A associação popular entre 11 de setembro e a invasão do Iraque nasceu principalmente do contexto político criado depois dos atentados, mas os ataques de 2001 foram executados pela Al Qaeda.

Essa distinção é fundamental.

E AS TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO?

Poucos acontecimentos modernos produziram tantas teorias alternativas quanto o 11 de setembro.

Ao longo dos anos, surgiram alegações de que os atentados teriam sido planejados ou permitidos pelo próprio governo americano.

Outras teorias afirmavam que as Torres Gêmeas não poderiam ter desabado apenas por causa dos impactos dos aviões e dos incêndios.

Também surgiram alegações de que explosivos teriam sido instalados previamente nos edifícios.

Outra teoria questionou o impacto do voo 77 no Pentágono.

E existe ainda uma enorme quantidade de interpretações alternativas envolvendo o voo 93, o mercado financeiro, o governo George W. Bush, a inteligência americana, Israel e diversos outros elementos.

É justamente aqui que a história precisa separar dúvida legítima de afirmação sem evidência.

Questionar governos não é crime.

Desconfiar de autoridades também não é.

Investigar falhas institucionais é necessário.

O problema começa quando uma hipótese passa a ser tratada como fato sem evidências capazes de sustentá-la.

AS TORRES FORAM DEMOLIDAS?

Essa é provavelmente uma das teorias mais conhecidas.

O argumento afirma que as Torres Gêmeas teriam sido derrubadas por explosivos instalados previamente.

O NIST investigou essa possibilidade.

A conclusão oficial foi que não houve evidência corroborando a hipótese de demolição controlada por explosivos ou de uso de mísseis.

Segundo o instituto, os colapsos começaram justamente nos pavimentos atingidos pelos aviões e afetados pelos incêndios. A investigação analisou milhares de documentos, fotografias e vídeos, além de peças da estrutura e simulações computacionais.

Isso não significa que todas as perguntas feitas pelo público sejam absurdas.

Significa que, até hoje, as investigações técnicas não encontraram evidências que sustentem a hipótese de uma demolição controlada.

E O WORLD TRADE CENTER 7?

O caso do WTC 7 alimentou ainda mais as teorias.

O edifício de 47 andares não foi atingido diretamente por um avião, mas desabou no final da tarde de 11 de setembro depois de ter sido atingido por destroços das Torres Gêmeas e sofrer incêndios prolongados.

Para quem vê apenas as imagens, o desabamento pode parecer desconcertante.

O NIST concluiu que o WTC 7 sofreu uma sequência de falhas estruturais progressivas provocadas principalmente pelos incêndios, que começaram após os danos causados pelos destroços.

A agência também investigou especificamente a possibilidade de explosivos e afirmou não ter encontrado evidências de bombas, mísseis ou demolição controlada.

Ainda assim, o WTC 7 permanece como um dos pontos mais discutidos pelos grupos que defendem versões alternativas dos acontecimentos.

É importante registrar a controvérsia.

Mas também é importante não confundir controvérsia com comprovação.

O QUE REALMENTE DEVERIA NOS INDIGNAR

Vinte e cinco anos depois, talvez a pergunta mais importante não seja apenas "quem fez isso?".

A autoria dos atentados está amplamente documentada.

A pergunta que permanece é outra.

Como foi possível chegar até aquele dia?

A Comissão do 11 de Setembro apontou falhas importantes na inteligência, na comunicação entre órgãos, na segurança aérea e na capacidade de perceber a dimensão da ameaça representada pela Al Qaeda.

O relatório descreve um país que não estava preparado para aquele tipo de ataque.

E essa talvez seja uma das maiores lições do 11 de setembro.

Instituições podem falhar.

Sistemas podem falhar.

Pessoas podem ignorar sinais.

Governos podem cometer erros.

E quando todos esses problemas se encontram, o preço pode ser devastador.

NOVA YORK APRENDEU A LEMBRAR

Hoje, quem visita Nova York encontra no antigo local das Torres Gêmeas o National September 11 Memorial.

Duas enormes piscinas ocupam os espaços onde ficavam as torres.

Ao redor delas estão gravados os nomes das vítimas.

É um lugar silencioso no meio de uma cidade que raramente fica em silêncio.

Ali, o visitante percebe uma coisa que nenhuma fotografia consegue explicar completamente.

O 11 de setembro não foi apenas uma tragédia americana.

Foi uma tragédia humana.

Entre as vítimas havia pessoas de diferentes nacionalidades, religiões, profissões e histórias.

O mundo inteiro estava representado naquele pedaço de Manhattan.

VIAJAR TAMBÉM É LEMBRAR

Para quem visita Nova York hoje, conhecer o Memorial do 11 de Setembro é muito mais do que incluir uma atração turística no roteiro.

É olhar para a história.

É compreender por que o aeroporto americano tem determinados procedimentos.

É entender por que algumas regras de segurança parecem exageradas.

É perceber por que uma cidade inteira passou a carregar uma cicatriz permanente em sua paisagem.

Turismo não precisa ser apenas fotografia.

Viajar também pode significar compreender.

E alguns lugares exigem respeito antes mesmo da câmera ser levantada.

25 ANOS DEPOIS

Às 8h46 desta manhã, quando o relógio marcou o momento exato em que o primeiro avião atingiu a Torre Norte há 25 anos, não foi apenas uma lembrança de um ataque terrorista que voltou.


Uma manhã que mudou o mundo.

O tempo passou.

Nova York se reconstruiu.

Um novo World Trade Center surgiu.

Os aeroportos mudaram.

A segurança mudou.

A política internacional mudou.

Uma geração cresceu sem ter memória própria daquele dia.

Mas as famílias das vítimas não receberam de volta seus filhos.

Os bombeiros que entraram nos prédios não esqueceram.

Os sobreviventes não esqueceram.

E a cidade não esqueceu.

Hoje, 25 anos depois, talvez a melhor forma de lembrar o 11 de setembro seja resistir à tentação de transformar uma tragédia em espetáculo ou em combustível para teorias sem provas.

É lembrar das pessoas.

É estudar os fatos.

É questionar quando houver motivos.

É exigir responsabilidade dos governos.

E, principalmente, é entender que por trás das grandes decisões da história existem pessoas comuns que podem pagar o preço de erros que nunca cometeram.

Porque o 11 de setembro começou com quatro aviões.

Mas suas consequências atravessaram fronteiras, governos, aeroportos, guerras e gerações.

E continuam viajando pelo mundo até hoje.

Onde você estava quando tudo isso começou? Comente!